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Conhecer o Deserto do Saara sempre foi um dos nossos maiores desejos. Sempre olhamos fotos das infinitas dunas e imaginamos quando teríamos a oportunidade de estar naquele lugar. Com o inverno na Europa, visitar os países da África se tornou a melhor opção para quem quer fugir do frio e ainda gastar pouco. Isso somado à possibilidade de realizar o sonho de visitar o Deserto do Saara? O que mais poderíamos querer?

Tour pelo deserto do Saara, Marrocos - Foto da Gopro

Comprando o tour para o Deserto do Saara

O tour é um dos maiores atrativos do país e é encontrado com facilidade nos Hotéis e com vendedores independentes nas ruas (assim como na Tailândia, os passeios são vendidos em barracas/bancadas ou pequenas lojas nas ruas). O nome da empresa que organiza os passeios é Excursions Everyday e, pelo que eu entendi, eles têm vários pontos de venda espalhados por toda a Medina (a parte tradicional da cidade).

Nossa ideia era comprar o passeio para o Deserto do Saara no primeiro dia de viagem, para já fazê-lo no dia seguinte; e foi  isso que fizemos. Entramos em uma das mil lojas que oferecem o passeio e após uma explicação detalhada do roteiro, começamos a negociar o valor. O preço original era 800 dirhams, cerca de € 80 para cada um. Pelo que eu tinha pesquisado, entre 800 e 1000 dirhams seria um preço justo, mas ainda conseguimos abaixar o valor para 700 dirhams cada, € 70. Nunca deixe de negociar, um casal que conhecemos acabou pagando 850 dirhams cada um no mesmo tour.

Pagamos 200 dirhams cada na hora, como uma garantia e combinamos que as 7h da manhã alguém da empresa iria nos buscar na porta do Riad em que estávamos hospedados. Entregamos o restante do combinado quando entramos na van do passeio.

Entendendo o tour

A primeira coisa que você deve saber sobre o tour é que mesmo o passeio sendo de 2 noites, você só passará uma no deserto. A diferença do tour de 3 dias e 2 noites para o tour de 2 dias e uma noite é que eles vão para regiões diferentes do Deserto do Saara. Ainda farei um artigo só explicando a diferença dos passeios, mas de cara já adianto que se você tiver tempo, prefira o de 3 dias e duas noites.

No pacote está incluído o transporte em uma van de 20 lugares, uma noite num hotel no meio do caminho no final do primeiro dia de viagem, café da manhã e jantar durante todos os dias do passeio.

Van do tour do Deserto do Saara

No tour de 3 dias e 2 noites, o primeiro dia é só na estrada, com paradas para lanche e almoço, além de paradas estratégicas em locais com lindas paisagens para fotografar e para compras também. Após jantar e passar a noite no hotel, o segundo dia começa com  mais estrada e algumas paradas durante o caminho. Só no final da tarde chega-se em Merzouga, uma das entradas para o Deserto do Saara.

Acontece que como nós somos um pouco azarados, devido a fortes chuvas nos dias anteriores, as estradas do caminho principal do primeiro dia estavam interditadas e, por isso, nosso tour foi um pouco diferente…

Nossa saga até o Deserto do Saara

Conforme combinado, um rapaz da empresa veio até o nosso Riad nos buscar e levar até o ponto de encontro, na Praça Jemma el-Fna. Após esperarmos cerca de 40 minutos até juntar todos que iriam fazer o passeio, partimos para a estrada.

Com as estradas fechadas, tivemos que fazer um caminho diferente, dando uma volta gigantesca. Com isso, não passamos pelos lugares que deveríamos passar e a viagem ficou extremamente cansativa. Paramos uma vez para um lanche e outra para o almoço, que não está incluído no pacote, mas que também não achei caro. De qualquer forma, a grande dica é comprar alguns biscoitos e água na primeira parada para o lanche. Mais pra frente vocês entenderão o porquê.

Cordilheira Atlas, caminho para o Deserto do Saara

Às 17h fizemos nossa primeira parada para curtir alguma atração. Foi em Ouarzazate, uma pequena cidade ao sul do Marrocos, apelidada como “a porta do deserto”. O que teríamos para ver ali era o Museu do Cinema, mas como todos estavam destruídos da viagem, ninguém quis entrar. Fotografamos um pouco e voltamos para a van para mais algumas horas até o hotel que iríamos passar a noite.

Gravações de Game of Thrones no Marrocos

Reconhece esse lugar da foto abaixo? A cidade de Ouarzazate e os Estúdios Atlas, já foram usados para gravações de vários filmes como Príncipe da Pérsia, Babel, Alexandre e Gladiador. Agora o estúdio também está atraindo visitantes que querem conhecer de perto o reino de Astapor de Game of Trones. As cenas de Daenerys Targaryen e seu exército foram gravadas lá. A cidade de Essaouria também foi usada para algumas tomadas da terceira temporada.

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Chegamos no hotel por volta das 20h. Guardamos nossas coisas, jantamos e fomos dormir. No jantar foram servidos pratos tradicionais como a sopa Harira, Cuzcuz e pão árabe. Atenção: as bebidas não estão inclusas! O jantar é gostoso mas não deu para matar a fome, pois os pratos não são individuais, e sim um prato grande para cada quatro pessoas. A Jéssica investiu na sopa e eu… Lembra dos biscoitos que eu falei para comprarem nas paradas? Pois é, eles me salvaram no fim da noite.

O Hotel não era lá grandes coisas, tinha uma estrutura boa e wi-fi, mas os quartos eram gelados, pois estávamos no meio das montanhas e bem próximos a um rio. O aquecedor do nosso quarto não estava funcionando e mesmo com dois cobertores, dormimos com frio (lembrando que nossa viagem foi no mês de dezembro).

marrocos-marrakech-viagem-mochilao-passeio-tour-saara-parada

No dia seguinte acordamos cedo para tomar o café da manhã. Assim como o jantar, o café foi bem tradicional com crepes/panquecas, mel, geléia, pão árabe e manteiga. Além do chá, havia a opção de leite e café também.

Na hora marcada pelo motorista, 8h15, seguimos viagem. Dessa vez, como já havíamos contornado a parte da estrada que tinha sido destruída, faríamos o passeio “normal”. A primeira parada foi em poucos minutos após sairmos do hotel, em frente a uma formação rochosa digamos, curiosa.

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A segunda parada foi no palmeiral de Tinghir e na vila Bérbere. A palavra “bérbere” vem de bárbaro e denominam os antigos nômades e famílias que vivem no Deserto. Hoje é quase impossível encontrar verdadeiros nômades, mas ainda existem famílias inteiras que vivem em casas assim como os primeiros bérberes.

Saímos do carro e um guia local nos levou até uma tradicional casa bérbere, para uma demonstração de como são confeccionados os famosos tapetes marroquinos . Tudo bem interessante nos 15 primeiros minutos. Depois disso tudo ficou muito chato e cansativo e no final eles nos mostraram cerca de 30 (é serio, 30!) tapetes que estavam a venda e acreditem, até cartão de crédito eles aceitavam!

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Após quase uma hora vendo tapetes fomos para a melhor parte daquela parada, a Garganta de Dades! Eu estava bem curioso para conhecer esse lugar. Pelas fotos que tinha visto o lugar parecia ser incrível…  E era! Os desfiladeiros gigantescos me lembraram um pouco o Caminito del Rey na Espanha. Tinha lido que o local é um dos picos de escalada do Marrocos e até encontramos algumas vias nas rochas. Local excelente para escaladores!

Garganta de Dades, uma das paradas do tour do Deserto do saara

Após uma caminhadinha de cinco minutos entre o desfiladeiro, o guia nos deu a notícia que teríamos que voltar para o carro e continuar viagem. E como isso me deixou p* da vida! Quase uma hora vendo tapetes e menos de 10 minutos num lugar incrível daquele! Não que os tapetes e a demonstração de como eles são feitos e os diferentes tipos de lã não fossem interessantes, mas toda exibição dos mesmos para a venda seriam dispensáveis (ao menos para nós que não tínhamos como comprar um tapete e levar no mochilão com um vôo low-cost).

Após uma parada para o almoço, chegamos em Merzouga. Já era por volta das 16h30 quando entramos numa espécie de ponto de partida e entrada para o Deserto. Ali já estavam a nossa espera os camelos, ou melhor, dromedários.

Algumas pessoas não gostam quando descobrem que não são camelos que fazem o trajeto e sim dromedários. Para nós não faz diferença (para fins do passeio). A verdade é que todos se referem ao tour como sendo feitos por camelos. Afinal, já tentou falar dromedários em inglês várias vezes?

Enfim, o Deserto do Saara

Deixamos o mochilão na van e separamos o essencial em uma mochila de ataque. Compramos água e nos dirigimos até os camelos (ou dromedários). A primeira vez que vimos um animal desses de perto foi nas dunas de Genipabu, em Natal (RN).

Os animais são muito altos, você só tem a noção quando já está montado e a subida é meio tensa, tem que segurar firme para não cair (colocamos um vídeo da subida no Instagram do blog, confere lá!). Após todos montados, vamos em direção ao nosso acampamento. Nosso grupo foi dividido em duas caravanas com guias diferentes.

selfie no deserto do saara, Marrocos

Foram cerca de 1h30 andando de camelo/dromedário até o acampamento. O pôr do sol no deserto foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi. Com o sol já muito baixo a sombra dos camelos nas areias do deserto ficam gigantescas. Não resistimos e tiramos também a tradicional foto das sombras.

Sombra dos camelos no Deserto do Saara, Marrocos

Sombra dos camelos no Deserto do Saara, Marrocos - Gopro

Antes do sol se pôr completamente, o  guia faz uma parada para tirar fotos do pessoal em cima dos camelos. Ele foi pegando a máquina de um por um para tirar as fotos.  Olha a nossa ai:

Camelos - Deserto do Saara

O sol se pôs e ainda não tínhamos chegado ao nosso acampamento.  A perna já começava a doer de tanto tempo em cima do camelo.

Anoiteceu e pouco a pouco as estrelas começavam a brilhar no céu, mas nada de lua. Foi ai que eu olhei para o outro lado e vi um enorme clarão atrás de uma duna. A primeira coisa que pensei foi: “Pronto, finalmente chegamos no nosso acampamento”. Conforme o camelo andava, as dunas iam saindo da frente e foi nesse momento que eu vi a paisagem mais impressionante da minha vida: uma lua cheia, muito, mas muito baixa e gigantesca iluminando o Deserto do Saara. Para mim, o tempo parou. Nunca tinha visto nada parecido na minha vida.

Deserto do Saara de noite. Foto de longa exposição

Pra completar o cenário cinematográfico, o outro grupo começou a subir uma duna a nossa frente. A imagem da sombra dos camelos subindo a duna com aquela lua ao fundo vai ficar registrada na minha memória para sempre. Uma pena não ter conseguido fotografar aquele momento, mas certas coisas só mesmo vivendo para se entender.

Chegamos no acampamento e separaram nosso grupo em três tendas, cada uma com 6 camas.

Tendas do acampamento no Deserto do Saara

Após guardar as coisas fomos para o jantar. Eu achei essa parte muito bagunçada. Uma tenda gigantesca com cerca de 6 mesas espalhadas. Nessa hora percebemos que tinha outro grupo no acampamento também. No total eram cerca de 30 pessoas na tenda para o jantar. Trouxeram um panelão de arroz + cesta de pães + Tagine de frango. Um “combo” desse para cada mesa. Senti que a comida não foi suficiente para todo mundo. O problema é que os pedaços de frango eram bem poucos em comparação à quantidade de pessoas na mesa. Além disso, mais uma vez não há bebidas (até porque não há banheiro no acampamento também).

Saímos do jantar com fome e novamente, os biscoitos salvaram. Aproveitamos para explorarmos o Deserto. Como nosso acampamento estava montado na base de uma duna gigantesca (cerca de 100m), utilizávamos ela como referência para não nos perdemos.

Essa caminhada de noite pelo Deserto foi incrível. Ao contrário de alguns relatos que lemos antes da viagem, o céu não estava tão estrelado. Talvez isso tenha sido pela claridade que a lua estava fazendo… O céu mais estrelado que vimos até hoje ainda foi na Praia do Aventureiro, em Ilha Grande. Mas a lua gigantesca deixava o cenário espetacular.

Deserto do Saara de noite. Foto de longa exposição

Após um bom tempo andando no meio do Deserto, voltamos para o acampamento. Quando chegamos, estava rolando uma fogueira com a musica típica Bérbere. Assistimos um pouco e depois fomos para a tenda dormir.

Acordando no Deserto

Fomos acordados às 5h da manhã com o céu ainda escuro. Arrumamos nossa mochila e fomos para fora da tenda para ver o que iria acontecer. De novo a desorganização nos incomodou um pouco. Ficamos uns 20 minutos do lado de fora, num frio do cão, sem saber o que ia acontecer. Ninguém sequer falava “agora vai acontecer isso” ou “vamos fazer aquilo…”.  Se iríamos tomar café, se iriamos subir as dunas para ver o nascer do sol ou se já iríamos para os camelos. Ninguém falava nada.

Depois de um tempo um outro guia nos levou até os camelos e seguimos pelo Deserto, sem saber se já estávamos voltando ou se iríamos para alguma duna assistir ao nascer do sol. Infelizmente já estávamos voltando e assistiríamos o nascer no meio do caminho.

O nascer do sol foi outro espetáculo. Os guias pararam os camelos para fotografarmos e mesmo o céu não estando completamente limpo, ainda conseguimos ter um visual incrível.

Nascer do sol no deserto do saara - por do sol - gopro

Nascer do sol no deserto do saara - por do sol - gopro

Após mais trinta minutos de camelo chegamos ao local de onde tínhamos saído no dia anterior. Lá tomamos o café da manhã e já entramos na van, afinal, tínhamos que retornar à Marrakech em apenas um dia.

Foram mais 12h até a Medina. Mesmo com todos os perrengues por conta das estradas bloqueadas e pela desorganização lá no acampamento, essa foi uma das experiências mais incríveis que já vivi. O Deserto do Saara é incrível e o tour, por mais cansativo que seja, vale muito a pena.

Nascer do sol no deserto do saara - por do sol - gopro

A única coisa que me deixou bem  chateado, foi não termos tido tempo de andar pelas dunas livremente durante a tarde, do mesmo jeito que fizemos de noite. Isso tornaria a experiência ainda mais rica e incrível do que já foi.

De qualquer forma, esse tour é um passeio imperdível para quem vai até o Marrocos, afinal, não é todo dia que se tem a oportunidade de dormir no Deserto do Saara!


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Sobre o autor

Carioca da gema, flamenguista, psicólogo e apaixonado por fotografia. Para ele, qualquer lugar é perfeito com céu azul, sol e uma cerveja gelada. Após dois anos morando em Dublin, é hora de retomar a vida no Brasil e desbravar cada cantinho do nosso país.