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Pense em Veneza. Qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça? Com certeza foram os canais e o passeio de gôndola, certo? É impossível falar de Veneza sem lembrar do que a torna tão única: os canais.

Os canais de Veneza foram construídos como uma forma de sobrevivência dos habitantes da região quando a cidade ainda estava se formando e, com o tempo, eles viraram uma importante forma de transporte. Hoje os canais e o passeio de gôndola por ele são as principais atrações turísticas da cidade.

A origem dos canais de Veneza

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Duas fotos do mesmo “ponto” de gôndola.

Veneza não é cortada por canais ao acaso. Na verdade, a cidade foi formada a partir de várias ilhotas. Ainda na época das invasões bárbaras pela Europa (por volta do século V) muitos habitantes de Veneto se refugiaram nas ilhas para escapar dos saques e, é claro, da morte.

Com o passar do tempo a população foi crescendo e muito com novos habitantes sempre chegando para se refugiar no local. Como consequência, começou a faltar espaço nas minúsculas ilhas. E como toda boa ideia vêm da necessidade, para poder acomodar todo mundo e também para sua própria sobrevivência e desenvolvimento, os habitantes descobriram um jeito de aterrar parte das áreas que ficavam próximas à terra firme (isso já por volta do século IX).

Isso diminuiu a distância entre as ilhotas e formou o que hoje chamamos de canais de Veneza. Confesso que me apaixonei ainda mais por eles após saber como foram criados.

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Alguns canais são mais estreitos, outros mais largos… Alguns ficam exatamente na porta das casas e outros, como esse, têm um mini- deck para as lanchas dos moradores.

A sua quase independência em relação ao continente e sua posição privilegiada de “cara para o mar” fizeram de Veneza um grande centro comercial principalmente na Era das Grandes Navegações, até a descoberta por Portugal da rota contornando o continente africano.

Veneza hoje

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Uma das 409 pontes de ligam a cidade. Definitivamente não é uma boa ideia explorar Veneza com malinhas de roda, carrinhos de bebê ou sapatos de salto.

Veneza não se parece com nenhuma cidade que eu já tenha visitado no mundo. Ela é cruzada por 150 canais, alguns mais largos, outros mais estreitos. E segundo minhas pesquisas, são 409 pontes (eram muitas mesmo!). Esqueça a ideia de visitar a cidade com carrinho de bebê ou mesmo usar malas de rodinhas. A cada esquina encontra-se mais pontes e mais escadas. Parece cansativo? A cidade é tão linda que nem percebemos o quanto andamos até olhar no mapa.

Hoje a cidade sobrevive unicamente da renda com o turismo. Restaurantes, gelatterias e lojas com as tradicionais máscaras venezianas e tantas outros souvenirs são a grande maioria do comércio nas ruas. É fácil observar que muitas pessoas saem das cidades continentais como Mestre para ir trabalhar em Veneza e retornam a noite. Muitos dizem que já quase não existem moradores mesmo na cidade e que cada vez mais a cidade está se tornando meio “fantasma” com apenas moradores de temporada. Mesmo com a grande quantidade de turistas pela cidade, Veneza não tem cara de cidade turística e ainda é possível fazer coisas comuns como ir à feira de frutas pela manhã (ótima pedida para o café da manhã) na praça e ver crianças brincando pelas ruas mais distantes do centro.

Estávamos vindo de Roma, então a comparação entre as duas cidades é inevitável. Veneza por vezes pareceu uma cidade meio “bagunçada”. Algumas áreas da cidade possuem casas com janelas e portas bem velhas e muros caindo. E já em outro lado, tudo bem conservado. No entanto, não há construções modernas ou nada de arquitetura muito atual. A cidade me lembrou o bairro de Trastevere em Roma, com casas de janelas bem pequenas, muitas de madeira e muitas plantas espalhadas pelas sacadas ou muros.

Mas que mais me chamou atenção foram as casas construídas de frente para os canais, onde muitas têm seu próprio píer com um barco, tal como uma garagem para carros.

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Uma das vistas da janela do Hotel Cadoro, onde ficamos hospedados. Casas com a porta a poucos passos do canal e barcos estacionados tal como carros.

Como usar o Vaporeto em Veneza?

O Vaporeto é o principal meio de transporte para quem não tem seu próprio barco. Ele funciona como um metrô-barco. Faço essa referência porque existem estações marcadas para embarcar ou desembarcar, semelhante à barca que pegamos em Bangkok, Tailândia. Você compra um bilhete ( €7,50) e pode usar o transporte quantas vezes quiser dentro de uma hora.

Tudo é bem simples e bem sinalizado. Só não se esqueçam de validar o bilhete antes de entrar no barco. Você compra na bilheteria e depois precisa escaneá-lo numa máquina que se encontra na entrada do deck.

Nós optamos por visitar Veneza toda a pé e só pegamos o Vaporeto quando decidimos passar o dia na ilha vizinha de Murano.

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O famoso Vaporeto, principal meio de transporte de Veneza.

Passeio de Gôndola em Veneza

Quanto custa o passeio de gôndola?

Ah! O passeio de gôndola pelos canais de Veneza! Existe algo mais romântico que isso? Realmente deve ser uma experiência única porque é caríssimo! Até para padrões “vezianos”(a cidade é bem cara no geral).

Não é qualquer um que pode ser gondoleiro. As gôndolas são feitas num processo artesanal dificílimo e poucas são produzidas ao ano. Mesmo assim existem muitos espalhados pelos canais da cidade. Para quem tiver curiosidade essa animação conta a história das gôndolas em Veneza.

Mas não se engane, quantidade não significa concorrência. Eles têm uma tabela de preços que é seguida à risca. Os passeios durante o dia custam €80 e à noite €100 por 30 a 40 minutos pelos belíssimos canais de Veneza. Esses são os preços praticados durante o verão (entre maio e agosto), no inverno é possível tentar negociar. No entanto, Veneza está cheia de turistas durante todo o ano, então não espere conseguir um preço muito diferente.

Uma opção que muitos casais fazem é dividir o passeio com outro casal. Cada gôndola pode receber até seis pessoas e o preço continua o mesmo. Não é a mais romântica das opções, mas é mais barata.

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E se estiver afim de desembolsar um pouco mais, é possível incluir um cantor e/ou músico também no passeio. O repertório é aquele mais tradicional com O sole Mio e Volare. Parece brega falando assim, mas é lindo! Vimos algumas apresentações e realmente é um espetáculo a parte conhecer Veneza com uma trilha sonora tradicional.

O trajeto que será feito pelo gondoleiro vai depender do lugar onde você embarcar, pois ele precisa partir e voltar para o mesmo ponto. Por isso indicamos que perguntem ao gondoleiro o caminho que será feito, antes de fechar o passeio e já pular para dentro da gôndola (férias as pessoas tendem a ser mais impulsivas, mas é bom pesquisar um pouco antes).

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Passeio de gondola passando pela famosa Ponte dos Suspiros.

Os gondoleiros que saem dos canais mais próximos à Praça de São Marco costumam fazer os passeios mais bonitos, passando por pontes maiores, incluindo a famosa Ponte dos Suspiros.

O ideal é que você faça o passeio de gôndola depois de já ter conhecido ao menos os principais pontos da cidade a pé. Assim você vai entender melhor qual o itinerário quando perguntar ao gondoleiro e poderá negociar melhor com ele.

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Mapa da designer Jennifer Reynolds

Infelizmente nós tivemos que optar por não fazer o passeio após uns imprevistos para chegar a Veneza (em resumo: perder um ônibus, ter que pagar uma diária extra em Roma e depois ainda perder um trem na conexão em Bologna para Veneza). Como ainda tínhamos Malta pela frente, optamos por abrir mão do passeio de gôndola e poder curtir com um pouco mais de folga Veneza, sem nos preocupar com o dinheiro para a próxima viagem.

Com certeza fazer o passeio de gôndola pelos canais de Veneza deve ser uma experiência única, mas não é imprescindível. Vai de acordo com o perfil de cada um e, é claro, com as prioridades. Mas é claro que se você tiver uns eurinhos a mais, vale a pena fazer o passeio e ver os canais de Veneza por um ângulo totalmente diferente.


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Sobre o autor

Niteroiense de nascença, Botafogo de coração, Relações Públicas por formação, blogueira e viajante por paixão! Ama destinos históricos e visitar Museus em todo o mundo, mas não dispensa uma boa praia. Para ela, uma viagem não está completa sem apreciar (e bem) a culinária local e as lojas, claro.