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Dois grandes símbolos da cidade de Marrakech são a torre da Koutoubia e a Praça Jemma el-Fna. Por motivos diferentes, ambos se tornaram cartão postal da cidade e também as principais referências de localização por dentro da Medina.

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La Koutoubia vista da Praça Jemma el-Fna

Praça Jemma el-Fna – onde tudo acontece

Nenhum roteiro de viagem à Marrakech está completo se não incluir a Praça Jemma el-Fna. Também denominada como Jamma el-Fna ou Djemma El fna, essa praça tem tantas facetas quantas formas de escrever seu nome. É considerada o coração da Medina e onde tudo – exatamente tudo – acontece.

É o tipo de lugar que nunca está calmo ou vazio. Pela manhã, é o horário dos “artistas” se apresentarem na praça. É lá que os famosos encantadores de cobra se exibem, assim como músicos com os tradicionais tambores bérberes (o mesmo tipo de música que ouviríamos mais tarde no acampamento no Deserto do Saara). Essas são as apresentações mais interessantes de se assistir. Como a Praça é bem turística também, outros “serviços” são constantemente oferecidos aos visitantes como os desenhos de henna nas mãos para as mulheres, foto com  homens com roupas tradicionais (um pouco como acontece com os soldados em frente ao Coliseu em Roma) e até treinadores de macacos.

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Praça Jemma el-Fna durante o dia e a noite

Infelizmente é preciso ser bem firme ao recusar qualquer desses “serviços” ou performances. Uma mulher puxou a minha mão e tentou fazer o tal desenho de henna mesmo após ouvir minha negativa (felizmente o “meio desenho” acabou virando até um escudo contra outras marroquinas que ofereciam o mesmo. Elas se aproximavam e eu já mostrava a porcaria que a “amiga” delas tinha feito na minha mão e elas já sumiam). Outro caso foi o “treinador de macaco”. Estávamos tirando fotos da Praça quando ele se aproximou e já tentando pendurar o macaco em nosso ombro. Nunca gostei desse tipo de exploração, sempre fico com pena do coitado do animal (em Phuket, na Tailândia também tinha a “mesma atração” para os turistas).

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Ao redor da Jemma el-Fna existem vários agradáveis restaurantes e a dica é pegar uma mesa no terraço deles, de onde é possível ver como a Praça ganha mais vida ao anoitecer. Se pela manhã existem basicamente barracas de suco de laranja (a 4 dirhans!) e temperos, à noite é quando mais “especialidades marroquinas” surgem.

No centro da Praça são montadas grandes fileiras com pequenos restaurantes que vendem desde os tradicionais Tagines até testículos de boi fritos e sopa de caracol (com lesma dentro e tudo pela bagatela de 5 dirhans).  Apesar da confusão que parece ser, é ali que é possível encontrar a verdadeira comida marroquina e por preços bem modestos. Mais uma vez só é preciso paciência com os funcionários com o cardápio em frente a cada barraca que fazem de tudo para fazê-lo comer ali. Ali, nem nosso “disfarce” de marroquinos nos salvava; éramos abordados em árabe e em francês mesmo.

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À noite também é quando os vendedores ambulantes invadem a Praça e a “rua da Farmácia”, a Passagem Príncipe Moulay Rachid. Por sinal, essa rua é a grande dica para tudo: para compras, para restaurantes (a maioria ao redor da praça encerra o atendimento por volta das 21h, enquanto aqui ficam ativos até bem tarde), para contratar passeios, para usar o caixa eletrônico (ATM).

Durante o dia vimos por várias vezes a polícia local aparecer e espantar os vendedores que corriam para esconder os relógios, iPhones duvidosos e até brinquedos luminosos. Alguns minutos depois da passagem dos policiais, lá estavam eles de novo. Alguém mais lembrou do Rio de Janeiro?

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Por sinal, uma verdade sobre Marrakech e, em especial os mercados e a Praça Jemma el-Fna é a ausência de assaltos. Mesmo em todos os relatos que li antes de embarcar, não encontrei sequer uma pessoa que ao menos conheça alguém tem tenha sido assaltado por lá. Entre os motivos está a rigorosa punição para os ladrões (lembra da história de cortar a mão?). Jemma el-Fna significa “Assembléia dos Mortos”, nome dado já que a praça, há séculos atrás, era palco de execuções de criminosos. Durante os dias em que ficamos na cidade sempre vimos a presença da polícia (andam sempre dois soldados armados com algo como metralhadoras e um agente). No entanto, os pedintes são mais que comuns. Senhoras de idade, crianças por volta dos 5 anos… Por vezes você está comendo nas barraquinhas da Praça e logo vem uma criança vendendo lencinhos de papel ou só pedindo algumas moedas.

Já da Praça Jemma el-Fna, de manhã ou de noite, é possível ver ao fundo a silhueta de outro símbolo de Marrakech: a torre da Koutubia.

Mesquita e Jardins da Koutoubia

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Segundo a tradição do Islã, nenhuma construção pode ser mais alta do que a torre da Mesquita. Isso, somado aos 69m de altura da sua torre, fazem da Koutoubia um poderoso símbolo na paisagem de Marrakech. Ela é a maior e mais importante Mesquita da cidade e, mesmo tendo se tornado um ponto turístico, preserva os costumes religiosos e somente os muçulmanos podem entrar nela.

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Jardins com a Koutoubia ao fundo

Mesmo assim, vale contemplar a beleza de sua torre e descansar nos jardins ao lado da mesquita. Decorado com fontes como as que vimos em Alhambra, na Espanha, é um ótimo lugar para apreciar o sol de inverno (que, para nós, depois de tanto tempo vivendo na Irlanda, era uma felicidade só). Foi ali que restauramos nossa impressão dos marroquinos. Depois de tantos pedintes, heavy sale, da mulher dos desenhos de henna, do homem do macaco e até de um “guia” que nos levou ao hotel e queria cobrar em euros; estávamos cansados desse pensamento comum de que todo turista deve e merece ser explorado e enganado. Assim, quando um senhor veio nos oferecer um doce, recusamos e não fomos tão educados como nos primeiros dias de viagem. Ele tentou adivinhar nossa nacionalidade e depois de vê-lo errar algumas vezes, respondemos que éramos brasileiros. Ele sorriu, disse que adorava os brasileiros e ofereceu um doce de graça e o colocou em minhas mãos. Considerando que até o uso do banheiro do restaurante no qual você já está comendo era pago (sempre havia uma senhora no banheiro com um pratinho), já me preparei para pegar algumas moedas no bolso, mas ele foi embora. Pela honestidade, o procuramos pelos Jardins para comprar mais um, mas ele tinha sumido.

Mesmo que Marrakech pareça ser uma bagunça, que as ruas pareçam ser cheias e que o turistas por vezes tenha a impressão de que estão sempre sendo enganados, a cidade e seus cidadãos sempre surpreendem no final.

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Praça Jemma el-Fna vista do terraço de um restaurante.

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Sobre o autor

Niteroiense de nascença, Botafogo de coração, Relações Públicas por formação, blogueira e viajante por paixão! Ama destinos históricos e visitar Museus em todo o mundo, mas não dispensa uma boa praia. Para ela, uma viagem não está completa sem apreciar (e bem) a culinária local e as lojas, claro.

  • Os posts sobre Marrakech estão ótimos. Vou visitar a cidade no final de novembro e gostei muito das dicas.