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A expressão “estar pra lá de Marrakech” é bem conhecida por nós brasileiros, mas a cidade em si nem tanto. Visitamos a mais famosa cidade (do ponto de vista turístico) do Marrocos e descobrimos o que faz dela um dos destinos mais amados e odiados do mundo.

Marrakech, pode ser conhecida como a cidade vermelha, mas é uma cidade de contrastes bem marcantes. Se por um lado vemos as ruelas confusas e extremamente cheias da Medina, onde os pedestres disputam espaço com burros puxando cargas, motos, bicicletas e, é claro, os comerciantes; do outro encontramos uma cidade moderna com estradas largas e bem sinalizadas, lojas de luxo e casas que mais parecem cenário de cinema. É lá que também vemos de perto homens e  sobretudo mulheres com vestimentas tradicionais islâmicas (como a burca e véus que só deixam parte do rosto à mostra), mas também com toucas de lã com o símbolo da Nike… Em cada esquina, Marrakech “mostra” que nada do que você leu ou viu em filmes e novelas antes chegam perto do que a cidade é em si. Mesmo sabendo que qualquer descrição vai estar longe do impacto que essa cidade tão “louca” proporciona, vamos tentar mostrar para vocês um panorama geral do que encontramos na cidade vermelha.

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Marrakech, a cidade vermelha. Vista da Koutubia da Praça Jemma El Fna

Cidade Vermelha

Assim como o Rio de Janeiro é a cidade maravilhosa e Paris, a cidade luz; Marrakech é a cidade vermelha. A denominação nem precisa de explicação. Basta um passeio rápido para perceber: toda a cidade foi construída em tons de vermelho, ou ocre. Até hoje, mesmo as mansões novas da “cidade nova”, mantém a tradição da cor. O Carrefour, por exemplo, abriu mão do azul em homenagem à bandeira francesa nas lojas de Marrakech e manteve apenas tons de vermelho em sua logo.

As cores também eram uma forma de intensificar uma certa rivalidade entre as cidades, enquanto Marrakech é representada pelo vermelho, Fez é reconhecida pelo azul, sobretudo das cerâmicas.

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Divisão entre a Medina e a cidade nova. A muralha, assim como todas as construções são em tons de vermelho.

A cidade é divida em basicamente duas partes: a Medina, também conhecida como a “cidade antiga”; e a cidade nova ou moderna. Lembram de Alhambra, na Espanha? As duas cidades foram construídas a partir de grandes muros, criados para proteger a mesma de invasores. Por essa razão, dentro da Medina (na parte murada) as ruas são irregulares e bem estreitas. A arquitetura também é bem tradicional e é onde estão os principais e mais antigos monumentos da cidade como a Koutoubia e os Palácios Badi e Bahia.

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Estrada na “cidade nova”. Ao fundo, as montanhas Atlas cobertas de neve.
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Praça 16 de Novembro, onde se encontram grandes marcas de todo o mundo, além de cafés e restaurantes nos moldes europeus.

Com o passar do tempo, a parte “externa” aos muros foi se desenvolvendo, sobretudo sob o protetorado francês. Assim, a “cidade nova” foi construída segundo os modelos parisienses não deve em nada a nenhuma grande cidade do mundo.

Dentro da Medina

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E se estamos no Marrocos, vamos fazer “exposição da figura na Medina”! Acho que exagerei um pouco nas referências à novela O Clone durante a viagem, mas foi bem interessante entender  algumas das expressões e até usá-las entre os marroquinos para aumentar o nosso “disfarce” entre eles.

Que não existe uma “cara” de brasileiro, isso nós já sabíamos (no mundo todo já fomos identificados como de várias nacionalidades, menos a nossa), mas que teríamos cara de marroquinos essa foi nova. Ainda não sabemos qual característica física nos faz parecer tanto com os marroquinos, mas de boca fechada enganávamos todos como verdadeiros locais. Vantagem essa que nos salvou de muitos assédios por parte dos comerciantes.

Comércio, barganha e heavy sale

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Segundo o guia do Lonely Planet o difícil comércio do Marrocos é um dos motivos pelo qual 94% dos visitantes do país não pensam em retornar. Assim como na Tailândia, a regra aqui é barganhar. No entanto, na Tailândia os produtos já eram na maioria das vezes apresentados com um preço. Se você aceitasse pagá-lo, tudo bem, se não poderia tentar barganhar com o vendedor até que os dois chegassem a um acordo. No Marrocos, mais precisamente em Marrakech, é raro encontrar um produto com um preço marcado. Assim, o turista não tem nem ao menos um ponto de partida para a negociação.

Se isso já não fosse motivo suficiente de irritação, é considerado como uma grande falta de educação se mesmo após a negociação o visitante não comprar o produto. Eles olham feio e até xingam. Toda essa pressão que é feita sob o consumidor é conhecida como “heavy sale” e fez tão mal ao turismo à cidade que muitas lojas (ou tendas) dentro dos mercados da cidade tentam atrair compradores com placas dizendo “preço fixo” ou “aqui não tem heavy sale”.

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Exemplo de “heavy sale”. Uma senhora puxou a minha mão e ofereceu fazer alguns desenhos tradicionais. Ouvindo a minha negativa ela segurou a minha mão e começou a fazer de qualquer jeito para garantir algumas moedas.

Com nosso disfarce natural pudemos observar como o tratamento aos “gringos” e aos marroquinos são totalmente diferentes nesses mercados. Ao passo que os marroquinos chegam nas lojas, pegam nos produtos e veem tudo sem serem importunados, os estrangeiros (com cara de estrangeiros) sofrem com vendedores insistentes que falam das mil e uma utilidades do produto, o comparam com algum que você esteja usando dizendo sempre que o deles é melhor e já apresentam o preço em euros para convencê-los da verdadeira barganha que é comprar no Marrocos (veja no post Compras em Marrakech o que vale comprar na cidade e os preços médios).

A verdade é que, mesmo que um produto ainda pareça bem barato (ainda mais se comparado com o mesmo vendido na Europa), é fato que os vendedores de lá sempre saem no lucro. Infelizmente, como nosso árabe nem francês estavam em dia, também sofremos com o “heavy sale” e as complicadas negociações semelhantes a verdadeiros leilões.

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Os souks espalhados pelas ruas de Marrakech

Língua oficial

A língua oficial do Marrocos é o árabe. O francês é falado por praticamente toda a população devido aos anos de patronado do país europeu. Já os comerciantes falam praticamente todas as línguas do mundo. Cuidado principalmente quando for discutir preço com um amigo brasileiro na frente de um comerciante marroquino. Assim como você está fingindo que sabe negociar, ele vai fingir que não entendeu o que você falou. A verdade é que com a facilidade da viagem e proximidade com a Espanha, muitos espanhóis visitam as cidades marroquinas a turismo.

Quem já teve a oportunidade de visitar a Espanha ou mesmo conhece sobre o país sabe que não há lá, como no Brasil, essa quase necessidade de aprender uma língua estrangeira. Assim sendo, para vender para espanhóis é preciso aprender espanhol. E foi isso que muitos marroquinos fizeram.

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Com a realização dos jogos do Mundial de Clubes em Marrakech em 2013 (quando o Atlético Mineiro foi como representante das Américas), o português também ficou bastante conhecido com a enxurrada de brasileiros que desembarcaram na cidade. Se na Irlanda ainda temos dificuldades em fazer muitos entenderem que não falamos a língua “brazilian” ou muito menos o espanhol, no Marrocos encontramos vendedores que não só sabiam o que era o português como arranhavam muito mais que “bom dia” e “obrigado”.

A mulher em Marrakech

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Infelizmente, muitos países africanos são conhecidos como lugares não indicados para uma mulher viajar sozinha. Já ouvi histórias de amigas minhas que foram assediadas tanto em Marrakech como também no Cairo, Egito (nesse, o assédio era mais os olhares dos homens que  a encaravam como um frango assado). Com tantas informações negativas, achava que Marrakech seria uma cidade bem tradicional e fechada. No entanto, encontramos muitas mulheres andando sozinhas pela Medina.

Também era bem comum vê-las dirigindo motos e carros. Mesmo na parte da “cidade antiga”, muitas mulheres se vestiam de forma mais ocidental com calça jeans, sobretudos modernos (estava frio para eles) e sem o tão famoso véu. Exemplo dessa mistura do tradicional e moderno é justamente o fato de eu ter sido confundida com uma marroquina. Mesmo com cabelos soltos e roupas claramente ocidentais (mas decentes!) podia ser uma marroquina.

Esse contraste é bem interessante, pois mostra que muitas mulheres optam pelo uso da burca ou roupas mais tradicionais por acreditarem em seu simbolismo. Essa “convivência” entre o ocidental e tradicional também se deve à política do Rei Mohamed VI que tem procurado igualar os direitos de ambos os sexos, por entre outros motivos, para modernizar o país e atrais mais recursos por meio do turismo.

Marrakech, por fim, não poderia ser resumida melhor do que, como a cidade vermelha. Em um primeiro olhar, tudo nos parece igual, da mesma forma e cor; mas apenas alguns segundos depois já é possível ver suas nuances, seus contrastes e detalhes únicos dentre todas as cidades do mundo.


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Sobre o autor

Niteroiense de nascença, Botafogo de coração, Relações Públicas por formação, blogueira e viajante por paixão! Ama destinos históricos e visitar Museus em todo o mundo, mas não dispensa uma boa praia. Para ela, uma viagem não está completa sem apreciar (e bem) a culinária local e as lojas, claro.