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Quem não gosta de viajar? Dentre os motivos que despertam essa “paixão” podem estar: conhecer novos lugares ou pessoas, poder ter contato com uma cultura totalmente diferente da sua…  Ou quem sabe, só relaxar, fazer compras, participar de eventos. Seja qual for o objetivo central da viagem, a verdade é que é difícil encontrar alguém que não goste da ideia de “viajar” em si. E quando a ideia é viajar para fora do Brasil então aí é que aparecem mais e mais interessados. Agora, e sobre morar fora do seu país? Quantas pessoas você conhece que realmente consideram a ideia de morar fora?

A ideia de uma viagem no geral é tão amada por geralmente estar ligada às férias. Depois de um ano (ou mais) de trabalho incansável, estudos virando a noite e tantos outros motivos, as férias são aquele prêmio tão esperado – e mais do que merecido. E por isso mesmo tendemos a (digamos) nos presentear mais nesse período. Um pouco mais de conforto aqui nesse hotel, um pouco mais de extras naquele passeio, um pouco mais de cartão de crédito para comprar mais lembrancinhas ou para aproveitar mais daquele show… Todas decisões completamente aceitáveis e compreensíveis, afinal, quando iremos ter outras férias? Quando iremos estar nesse lugar de novo?

Quando nós (eu e o Bruno) voltamos de viagem e escrevemos os post para o blog sempre damos uma dica em relação ao orçamento: planeje-se, mas deixe sempre uma margem. Isso porque nós entendemos que já que se está em um determinado destino, é melhor aproveitá-lo ao máximo. No entanto, quando falamos em morar fora essa lógica não funciona tão bem. Além da questão financeira, existem outras grandes diferenças entre conhecer e morar em outro país.

Como realmente é a comida do país

Uma das partes que adoro numa viagem é poder ir a restaurantes de comida local, por exemplo, ir a um restaurante tipicamente francês em Paris. O café da manhã tradicional de cada região então é uma experiência a parte. No entanto, não conheço nenhuma pessoa que more fora e se dê ao luxo de comer em restaurantes todos os dias. Com isso, você aprende que aquele café da manhã ou mesmo aquele almoço oferecido nem sempre é o que os locais comem. Para agradar ao gosto de todos os tipos de turistas, muitos restaurantes misturam uma coisa ali e outra aqui no cardápio. Na Tailândia, por exemplo,  haviam opções de panquecas e salsichas bem ao lado das golden bags.

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Nós no Sirocco Sky Bar, restaurante onde foi filmado “Se beber, não case II” (Tailândia).

No mercado e nas feiras é que se pode ter uma ideia mais real do que é típico da região e o que as pessoas “normais” comem. A adaptação nem sempre é fácil. Ainda sentimos falta de muitas coisas como o cuscuz de milho, do queijo minas, da picanha… Mas ao mesmo tempo, essa obrigação em “se virar com o que tem” nos força a dar a chance de experimentar e passar a adotar tantas outras comidas maravilhosas.

Nem todo dia é uma aventura

Enquanto numa viagem todos os dias são muito intensos viagem com roteiros lotados com mil e uma atividades, quando se mora no lugar a noção de tempo é completamente diferente. Quando morávamos no Rio de Janeiro com frequência encontrávamos alguém de fora que perguntava sobre praias. Eram frases como: “Você não vai à praia a esse tempo todo? Mas você mora no Rio!”Aloooou? Eu moro aqui, trabalho, estudo, não dá para ir à praia todos os dias.

A verdade é que quando se mora num lugar, sempre vem uma sensação de “posso deixar para amanhã”, “tenho tempo ainda”. Essa é a parte ruim. Claro que não é preciso viver ligado no 220V como em uma viagem de férias quando a primeira regra é “Não se pode perder um minuto!”, porém, não se pode deixar cair na rotina. Às vezes é bem chata essa falta de “aventuras”, mas morando num lugar você pode tomar conhecimento de festivais, promoções e até de eventos que como turista seria difícil. Nem todos os dias serão interessantes, mas é um preço a se pagar seja em qual lugar do mundo você more.

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Oktoberfest em Dublin

Controle de dinheiro

Ao morar fora, não é possível agir com a mesma impulsividade que agiríamos em uma viagem convencional (com data de ida e volta). Quem nunca voltou de viagem com a mala cheia de besteiras inúteis e ainda teve que pagar a conta com IOF? É preciso planejar, pensar no amanhã. Não dá para pedir socorro ao limite do cartão de crédito, curtir a viagem e só lembrar da fatura quando já estiver em casa.

Isso te faz agir com mais maturidade em relação a tudo. Comprar só o que é necessário ou que vale realmente a pena. Sair do circuito de lojinhas para turistas com mil e uma quinquilharias quem nem a sua tia vai querer… Claro que isso não quer dizer que você não vá se dar nenhum presente, mas que vai pensar no custo X benefício.

O que é melhor? Viajar ou morar fora?

Os pontos listados acima são apenas algumas reflexões sobre as diferenças entre viajar e morar fora, mais precisamente na forma como agimos em cada situação. A verdade é que não há um melhor. São dois momentos diferentes.

O que sabemos que é verdade, por experiência próprias, é que se o seu objetivo é conhecer realmente a cultura de um lugar, não pense que em uma viagem do tipo 5 países em 20 dias, vai te proporcionar isso. Para conhecer realmente como é o dia a dia dos habitantes desse país, a melhor forma é realmente morar um tempo nele. No entanto, nem sempre temos a oportunidade de fazermos isso. Queríamos passar um tempo morando na Espanha, mas ainda não deu. E porque morar não é possível vamos deixar de visitar? Claro que não!

Morar fora é uma grande experiência cultural, pessoal e até profissional, mas ainda envolve muitos deveres. É bom também ter um momento para desestressar e só curtir. Bancar o turista e só se divertir por alguns dias direto. E nem é preciso realmente viajar para isso, isso pode ser feito na sua própria cidade (como fazíamos com o Rotas Cariocas). Todo lugar pode ser a melhor viagem de todas, basta se permitir aproveitar.

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Vista do topo da Pedra da Gávea, Rio de Janeiro.

Sobre o autor

Niteroiense de nascença, Botafogo de coração, Relações Públicas por formação, blogueira e viajante por paixão! Ama destinos históricos e visitar Museus em todo o mundo, mas não dispensa uma boa praia. Para ela, uma viagem não está completa sem apreciar (e bem) a culinária local e as lojas, claro.