Chapada Diamantina – Roteiro de 10 dias

“O Brasil é cheio de paraísos na terra.”  – disse um amigo após ver uma das mais de mil fotos que tiramos durante a viagem às cidades que compõem o Parque Nacional da Chapada Diamantina – BA. E não é para menos, o lugar é repleto de lindas cachoeiras, rios e muitas surpresas. Com toda certeza, é o destino obrigatório para os que gostam de natureza, aventura e, é claro, que não têm frescura para enfrentar trilhas longas, estradas de terra,  mato fechado, travessia de rios e eventuais encontros com animais digamos não muito amigáveis, como aranhas e cobras.

Foram ao todo dez dias de viagem que aqui serão divididos em dois posts. O primeiro começa agora com a cidade que é conhecida como “o Portal da Chapada Diamantina”, Lençóis, e a cidade com maior número de grutas da América Latina, Iraquara.

Confira a segunda parte desse post: Chapada Diamantina – Roteiro de 10 dias parte 2

Lençóis

O que esperar de Lençóis?

A cidade de Lençóis fica no interior da Bahia, a 412 km de Salvador. Foi fundada no século XIX, quando houve a descoberta de jazidas de diamante na cidade vizinha de Mucugê. As jazidas foram altamente exploradas e o ciclo do garimpo acabou, mas deixou uma grande herança: a descoberta de grutas e cachoeiras em toda a Chapada.  No entanto, o turismo ecológico na região só começou a se consolidar na década de 1970. Em 1973 Lençóis foi tombada pelo Patrimônio Histórico e hoje é a principal “porta de entrada” de visitantes da Chapada.

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Como chegar?

Para chegar até Lençóis existem duas opções: avião ou estrada. A cidade possui um aeroporto a 20 km do Centro, mas só existem vôos aos sábados, saindo de Salvador e em um único horário, 14h. A passagem custa cerca de R$150 e dizem que o avião é um modelo bem antigo.

Seguindo o bom e velho estilo “Infinita Highway” preferimos ir de carro de Salvador até Lençóis. Foram 420 km e 5 horas de viagem puramente compensadas pela paisagem.  Também há a opção de ir de ônibus. Ele está disponível em três horários: 8h, 13h e 20h. Os horários variam em 15 ou 20 minutos, mas são basicamente esses.

O ônibus sai da Rodoviária de Salvador, mas também para em rodoviárias de outros municípios. A passagem custa em média R$ 50 e são 6h30 de viagem.

Principais distâncias:
Lençóis/Salvador – 412km
Lençóis/Brasília – 1.100 km
Lençóis/São Paulo – 1.982 km

Uma boa dica é ir de carro ou alugar um na cidade. Todos os roteiros são distantes uns dos outros e não existem ônibus ou qualquer outro meio de transporte na cidade. A diária com quilometragem livre em Lençóis sai por R$150 para os modelos Palio, Gol, Celta ou Uno na Lukdan. Em Salvador a diária para o mesmo tipo de carro sai entre R$60 e R$40, dependendo do número de dias do aluguel. Abaixo alguns mapas que nos ajudaram bastante durante a viagem. Clique para ampliar.
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Onde ficar?

Definitivamente não faltam opções de estadia em Lençóis. Segundo dados da Prefeitura, são mais de dois mil leitos oficiais. E acreditem, deve haver tudo isso mesmo. Basta andar pela cidade (e também na estrada principal) para se deparar com pousadas, hospedarias e até campings.

Como nossa idéia era explorar também as cidades vizinhas a Lençóis, optamos por uma Pousada que ficava localizada no meio da estrada, a 1km do Centro da cidade. A pousada Bosque do Lapão. O lugar é bem simpático cercado de muito verde e com quartos em formato de pequenos chalés com capacidade para 4 pessoas. O café da manhã, já incluso na diária é bem variado e ainda conta com comidas típicas da região como cuscuz (o amarelo), ovos mexidos e biju. A diária é de R$110 por quarto e só pode ser paga em dinheiro. Eles não aceitam cartões, como a grande maioria dos comerciantes da região.

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No último dia de viagem, para ficarmos mais perto do Centro, nos hospedamos na Pousada Nossa Casa. Os quartos são menores e mais tradicionais que a Bosque do Lapão, mas a diária foi de apenas R$80 (que podem ser pagos no cartão de débito) com o café incluso. O único defeito desse lugar é que eles não permitemque  os hóspedes lavem suas roupas e já indicam uma lavanderia da região para fazê-lo. Não gostamos muito dessa proibição, já que costumamos viajar com a grana bem curta, mas é um ótimo lugar para quem preferir ficar no próprio Centro da cidade.

O que fazer lá?

Eis a grande questão… O mais incrível da Chapada Diamantina é que tem atrações para todas os gostos. Para quem não gosta de tanta aventura tem a trilha para o Ribeirão do Meio que fica dentro da cidade de Lençóis mesmo. A trilha é bem leve e no Ribeirão dá até para crianças se divertirem.
Como gostamos de aventuras mais difíceis, montamos um roteiro de viagem procurando pelos lugares mais loucos da Chapada.

Cachoeira do Mosquito

Para o primeiro dia tínhamos “reservado” a trilha para a Cachoeira da Fumaça. Nessa cachoeira não dá para entrar simplesmente porque ela é tão alta (340 metros) que a água vira fumaça antes de chegar ao solo. A trilha é feita por cima até o local da queda d’água em si. Infelizmente (ou felizmente) fomos alertados de que essa época (entre janeiro e março) é bem seca e com poucas chuvas. Assim, o volume de água da cachoeira estava consideravelmente pequeno e que não valeria a pena enfrentarmos a trilha para vê-la.

Aliás, essa é uma boa dica para todos os que planejam viajar para qualquer das cidades da Chapada: a melhor época para ver as cachoeiras com seu volume máximo de água é o mês de setembro. Nesse mês não está mais tão frio e as chuvas do inverno deixam as cachoeiras e rios mais bonitos ainda.

Com esse cenário optamos por adiantar nosso roteiro e conhecer a Cachoeira do Mosquito. Esse lugar é conhecido pela que d’água de 30 metros . O acesso é complicado, pois é feito unicamente por duas fazendas. Fomos pela Fazenda do Seu Marcos que cobra R$10 por pessoa para o acesso a sua Fazenda.

Outra dica essencial: leve dinheiro vivo. São pouquíssimos os estabelecimentos que aceitam cartões (mesmo os de débito) como pagamento e na cidade só tem uma agência do Banco do Brasil. Além disso, todas as cachoeiras e grutas fazem parte ou ficam após a entrada de alguma propriedade particular ou ainda estão sob o controle de alguma cooperativa e todos cobram alguma taxa para permitir a entrada pelo local.

O Seu Marcos pode ser encontrado no Mercado Sena, que fica ao lado dos Correios, na mesma rua do Banco do Brasil. Caso ele não esteja lá, é só perguntar por ele na vizinhança que indicarão a sua casa.

São 22 km do Centro de Lençóis até a entrada da Fazenda. Basta pegar a estrada em direção  a Salvador.  A entrada fica a esquerda antes do povoado de Tanquinho.  A partir da saída de Lençóis são cerca de 13 km até essa entrada para uma estrada de terra.

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Depois serão percorridos mais 3 km até uma nova curva a esquerda.
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Dai é só entrar nessa curva, siga reto e não se importe com as porteiras pelo meio do caminho. Abra uma a uma e na última aparecerá um funcionário da Fazenda para cobrar o voucher entregue pelo Seu Marcos.
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Passado esse trecho, chega-se a um mirante de onde pode se ver o inicio da Cachoeira do Mosquito. A esquerda (para quem está de frente ao Mirante) é onde começa a trilha.

A trilha começa bem leve com todo o caminho bem aberto e demarcado. Ela leva até a “boca” do rio que é visto do Mirante. Procure pelas partes de pedra que ainda estão secas e atravesse o rio. Tenha bastante cuidado, pois essas são as águas que vão cair (sim, cair!) na Cachoeira.

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Já do outro lado da margem é preciso um pouco de habilidade e conhecimento em trilhas para achar a continuação desta. Ela começa com uma subida bem íngreme entre folhas e raízes na encosta, mas depois já se transforma em uma trilha mais aberta.
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Ao todo foram de 20 a 25 minutos de trilha até chegar às muitas pedras que compõem a Cachoeira do Mosquito.

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O visual da queda d’água é incrível, mas fica ainda mais bonito pelas inúmeras andorinhas que ficam voando entre as paredes de pedras que formam a Cachoeira. Tenha um pouco de atenção ao andar pelas pedras, que ficam bem escorregadias com a água e curta sem pressa esse lugar, pois vale muito a pena.

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Poço do Diabo

Uma opção para a parte da tarde é conhecer o Poço do Diabo. Localizado na estrada que liga a cidade de Lençóis a Iraquara, esse lugar é muito frequentado por visitantes que curtem um passeio mais radical.

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Depois de 20 km a partir da saída da cidade de Lençóis encontra-se um pequeno restaurante. Na verdade, o lugar vende de tudo: de comida até pequenas lembrancinhas de viagem. Tão estranho o quanto possa parecer, esse restaurante foi construído na entrada da trilha para o Poço! Passando por dentro do restaurante encontra-se uma escada de pedras. Este é o início da trilha para o Poço do Pato e para o Poço do Diabo.

Depois de um pouco menos de 10 minutos de descida encontra-se uma casa em construção (foto abaixo) e dois caminhos em direções opostas.

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A trilha da direita leva até o Poço do Pato. Esse lugar é mais indicado para turistas “mais tradicionais” e famílias. Ele é formado por um poço bem raso e por pedras que formam um grande escorregador. Ah, tem também um pequeno bar construído em meio às pedras bem de frente ao Poço (coisas que só se vê na Chapada).

Mas, se como nós, o seu objetivo também é uma aventura mais radical, pegue a trilha da esquerda. Mais 15 minutos de caminhada e chega-se a um restaurante. Sim, mais um restaurante construído no meio de uma trilha! E pasmem, esse fica realmente no meio da trilha. É preciso passar por dentro dele para continuar no caminho para o Poço do Diabo.

Logo após o restaurante há uma pequena ponte. Após atravessá-la basta seguir em frente, sempre margeando o rio que você chegará ao Poço. Essa trilha é composta apenas de pedras e em dados momentos é preciso subir em algumas para conseguir ir adiante.

Importante: essa trilha ela leva até a vista de cima do Poço. Isso porque em épocas de alta temporada muitos fazem tirolesa partindo desse mirante até o fundo do Poço, literalmente. Há também os que pulam direto de lá para a água. São 22 metros de profundidade, então, se você tiver essa brilhante idéia… não se esqueça de pular de meias ou tênis para diminuir o impacto nos pés.

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Para descer até o Poço, basta retornar um pouco do mirante e seguir por cima. A vista do Poço ajuda na orientação. Ao todo são cerca de 30 minutos de trilha até chegar a margem do Poço. No dia em que fomos, não havia ninguém nessa trilha, o que tornou o passeio ainda mais especial.

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Morro do Pai Inácio

Outro roteiro imperdível da Chapada Diamantina e que pode ser feito no mesmo dia que a Cachoeira do Mosquito é o Morro do Pai Inácio. Esse é o grande símbolo da Chapada Diamantina.

O morro fica a aproximadamente 23km km do Centro de Lençóis na estrada em direção a Iraquara.  Após avistar o morro e entrar numa estrada de terra a direita, são mais 20 minutos de carro até esse local, onde encontram-se muitos guias.
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A entrada é liberada, mas pede-se uma contribuição voluntária e simbólica como taxa de manutenção do Parque. Depois de passada a guarita tem início uma trilha de pequenas pedras. A atenção aqui é mais em relação ao “figurino”. Vá de tênis, pois apesar de fácil, a trilha é feita de pedras e chinelos e sandálias podem fazer seu pé virar já que a superfície é irregular. Mesmo que o dia esteja quente vá com blusas um pouco mais fechadas, pois venta muito em toda a trilha e, para as mulheres, nada de saias ou vestidos.

São 20 minutos de subida até o topo.  Somente a última pedra (literalmente) da trilha merece mais atenção, pois ela fica na vertical e é preciso dar um pequeno impulso para subir nela. Passado por isso, chega-se ao topo do famoso Morro do Pai Inácio.

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A montanha tem esse nome devido à lenda de um escravo de uma das fazendas da região, o Inácio. Conta-se que ele era amante da esposa do senhorzinho. O patrão descobriu o caso e mandou seu capitão do mato matar Inácio. Conhecedor das montanhas da região, o escravo fugiu subindo o morro que hoje leva o seu nome, mas foi encurralado no topo pelos seus perseguidores. Inácio então pulou do alto do morro – ponto onde hoje é marcado por uma cruz. Mas a história não termina aqui.

O capitão do mato julgou que Inácio tinha morrido, mas como eu disse, o escravo era conhecedor do morro e tinha pulado em uma das pequenas fendas da rocha. Ele deu a volta e conta-se que muitos escravos ainda o viram fugindo entre as rochas do grande morro. Ainda hoje os guias da região fazem a representação da história no alto do morro assustando muitos visitantes desavisados. Como nós não fomos com guia, não vimos a representação ao vivo, mas existem muitos vídeos na internet sobre o tema.

Do alto do morro é possível ter uma visão única da Chapada com seus morros e montanhas rochosos de cortes quase retos.  Assistir ao por do sol de lá é uma grande pedida, só é preciso cuidado para prestar bem atenção onde é a pedra que marca a saída (aquela que é preciso “escalar” para subir ao topo do morro).  Não há iluminação no local e o topo é bem extenso e com aparência muito igual. O maior método de localização é a paisagem e no escuro… já viu, né?

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Se mesmo assim você quiser ver o por do sol fique atento aos horários. Só é permitida a visitação do Morro das 8h às 17h. Esse é o horário de “subida”. É possível subir durante esse horário e ficar lá até a hora que quiser, mas os guias que apoiam o local também vão embora após esse horário e não estarão lá para ajudar em caso de imprevistos. É bom curtir cada lugar, mas respeite seu limite. Se você não for tão experiente em trilhas respeite o horário. É melhor perder alguns minutos do que uma viagem inteira.

Iraquara

O que esperar de Iraquara?

Iraquara é vizinha à cidade de Lençóis. Também foi fundada na época de garimpo, mas hoje é conhecida mesmo por possuir a maior concentração de grutas da América Latina. Apesar de também explorar seu potencial turístico, Iraquara é mais uma cidade “de visitação” do que de “estadia”. A maior parte dos visitantes se hospeda em Lençóis e passam um dia em Iraquara para conhecer o lugar.

Iraquara é “dona” do Lago Pratinha, o mais belo rio que já conhecemos. Não sei se é o seu maior atrativo, mas com certeza é um dos mais bonitos dos possíveis destinos na Chapada.

Como chegar?

Como já foi aqui dito, para realmente aproveitar a Chapada Diamantina é preciso alugar um carro; e Lençóis é a cidade mais estruturada da Chapada.  Assim minha dica para chegar a Iraquara é simples: hospede-se em Lençóis e vá de carro até Iraquara. São aproximadamente 25 km ao norte. Depois chega-se a uma estrada de terra de mais ou menos 50 km.

Atenção nessa estrada, pois ela alterna trechos muito bem conservados com trechos absurdamente esburacados. Quando fomos, aceleramos bastante em um trecho em que a estrada estava boa e de repente nos deparamos com um mega buraco. Resultado: o impacto fez o motor do carro ir para frente e imprensar a ventoinha que queimou e gerou o superaquecimento quase que instantâneo do carro.  Fiquem atentos pois é possível explorar a Chapada com carros populares, mas é preciso atenção redobrada.

O que fazer lá?

Iraquara é o destino perfeito de quem gosta de grutas e cavernas. Existem várias com o a Lapa Doce, Torrinha, Fumaça e Mané Ioio, conhecidas pelas estalaquitites que se formaram ao longo dos anos. Existem também na cidade alguns sítios arqueológicos com inscrições rupestres.  Mas sem dúvida o lugar mais impressionante para se visitar é o Lago Pratinha.

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Gruta Azul e Lago Pratinha

Como descobrimos que é comum na Chapada, o Lago Pratinha fica dentro de uma propriedade particular. Ao final da estrada de terra mencionada acima, o visitante já se depara com placas indicando grutas e um estacionamento relativamente grande.

Neste local é preciso pagar R$10 por pessoa como “taxa de manutenção” . Esse voucher dá direto a visitar as Grutas Mané Ioio, Azul e o Lago Pratinha. No “meio do caminho” para as Grutas e para o Lago existe um restaurante, uma loja de presentes e banheiros liberados para o uso dos visitantes.

A Gruta Azul é assim chamada devido a presença de minerais  em sua água. Quando a luz do sol bate sob a água é possível ver sua cor incrivelmente azulada. Para se ter essa visão é preciso visitar a Gruta das 11h às 13h, que é quando alguns raios de sol iluminam a gruta por meio de sua estreita entrada .

A Gruta é bonita de ver, mas não é possível entrar em sua água.
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Na direção oposta está o caminho para o Pratinha. Trata-se de uma caminhada de 5 minutos até se ter a primeira visão do Lago.  A primeira vista não impressiona muito devido a sua “urbanização”. Em sua margem , existem várias mesas e cadeiras de plástico e um bar que serve apenas coxinhas e salgadinhos de uma marca que só vimos na Chapada.

Também há caiaques e pedalinhos para aluguel, além da opção do salto de tirolesa nas águas. O preço médio dessas atividades é de R$10. Confesso que toda essa exploração do local nos deixou um pouco em dúvida sobre o Lago; impressão logo desfeita a partir do primeiro mergulho.

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Suas águas são as mais cristalinas que já vimos na vida. Tão limpas que é possível ver os peixes nadando junto a você. O sol, ao bater nas águas, gera o brilho que deu nome ao lugar: pratinha. De tão transparentes, com os raios do sol a água parece ser de prata.

O lago de água quente, cristalina, repleta de peixes fica ainda mais bonito com a encosta típica da Chapada que o contorna. Esse paredão possui uma grande fenda na altura das águas formando a Gruta da Pratinha. Lá, não é permitido que se pise no solo, pois o fundo da água não é composto de areia e sim de algo semelhante a “micro conchas”. Para quem quiser visitar a Gruta, é cobrado mais o valor de R$25. O visitante ganha um colete salva-vidas para a flutuação, máscara de mergulho e um snorkel. Ainda como forma de “aproveitar” a presença do visitante na região, os guias da Pratinha oferecem o serviço de fotos subaquáticas. Como nós já garantimos a nossa Outex há um tempo, não precisamos. Confira nas fotos.

A dica para visitar Iraquara é ir no final da manhã, às 11h. Aproveite a manhã para fazer algum outro passeio, pois  uma coisa é certa: quando chegar ao Lago Pratinha, você não irá querer sair até o sol se por.

Em Chapada Diamantina – Roteiro para 10 dias parte 2 confira tudo sobre as trilhas da Cachoeira do Buracão e Fumacinha, além de lindas fotos do Poço Azul e muitas dicas!

Vai conhecer a Chapada diamantina? Reserve aqui seu hotel!

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